Clara era assim, como o próprio nome dizia : Clara.
Não que ela fosse de pele branca.Mas ela era iluminada.Era transparente.Clara sentia e transparecia isso.Ela era moça linda,boba.Clara era só estrelas.Só sol.Clara sempre foi assim, desde que me recordo dela.E como esquecer daqueles olhos castanho-amendoados me fitando.Como esquecer daquele jeito de menina.
Clara era uma das melhores pessoas que conheci, confesso.Me apaixonei por ela.Não dessas paixões de casar e ter filhos.Mas me apaixonei pela sua inocência, em querer fazer tudo certo.De querer fazer sempre o bem.De querer sempre fazer sorrir.E Clara era feliz com isso, Clara também era só sorrisos.
Tornou-se ainda mais feliz quando conheceu Júlio.
"Nascemos um para o outro" era o que Clara dizia para Julio, entre carícias.
Era notório o sentimento que ela tinha por ele.
Quando perguntavam do sentimento que ela sentia por Julio , ela abria um sorriso e respondia : "Por ele faço de tudo . "
No primeiro mês eram o casal mais feliz do mundo.No sexto mês eram apenas felizes.No segundo ano Clara aprendeu a dor.Aprendeu a sentir e calar-se.Clara aprendeu, enfim,o que era amar de verdade.Clara conheceu a solidão e o sofrimento.E era de fazer doer a qualquer um o que Júlio fazia com Clara.Julio tinha festas, tinha garotas, tinha dinheiro, tinha respeito da sociedade hipócrita em que vivia.Julio só não tinha compaixão de Clara.
E Clara pedia, implorava, Clara tentava carinhos diferentes e surpresas.Clara buscava , na vida de Julio , algum vão em que pudesse se encaixar.Nem que fosse pra ficar ali , quietinha.Nem que fosse pra engolir choro.
Um certo dia Clara saiu pra esfriar a cabeça e viu o que mais temia acontecer.Viu o que todos falavam à ela e mesmo assim ela negava.Clara viu Júlio aos beijos com outra mulher.Ali, na sua frente : Sentados no banco da praça.
Conforme Clara virava-se e pensava numa maneira de cometer suicídio lágrimas rolavam pelo seu rosto.
Clara não se matou , por sorte.
Mas daquele dia em diante ela se fechou para a luz.E se recusa a ver qualquer outra coisa. Clara não faz mais jus ao seu nome.
Por escolha própria, Clara vive no escuro.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
A moça [2]
(Continuação do texto A moça.)
Meses se passaram até que eu a encontrei novamente.
Eu tinha medo , confesso, de esbarrar com ela.Tinha medo daquelas lágrimas, daquela voz chorosa...Eu tinha medo daquele estado deplorável.
Eu não sei se suportaria vê-la com o peito rasgado e o coração mutilado.Não sei se aguentaria ver aqueles olhinhos fundos me pedindo ajuda,novamente.E eu com as mãos atadas.Sangrando junto com ela.
Mas , novamente , a encontrei por acaso.Como quem vai na padaria comprar pão e encontra um amigo.Passei por ali,por entre o guarda-roupas e a cama.E antes que pudesse pensar em desviar o olhar eu já tinha visto.Lá estava ela, sorrindo.E era um sorriso bonito de se ver...Não que ela tivesse os dentes mais brancos,não que ela tivesse o rosto mais bonito..Longe disso.Mas ela sorria com o coração.A moça era assim, sabe? De transbordar o que o coração sobra.Até hoje não sei se isso é bom ou não.Mas a moça era assim...E agora, olhe para ela.Olhe essa felicidade, essa doçura.Eu chorei, - confesso, de felicidade, ao ver tantas estrelas pinceladas em seus olhos.
E quando ela me avistou não disse uma palavra.Apenas sorriu...Agora ela que enxugava minhas lágrimas.Lágrimas de moça boba que sou, com o sentimento esvaindo pelos meus olhos.Ficamos ali por horas, ou por minutos , não me lembro ao certo. Ao lado da moça o tempo voava...Ficamos ali lembrando momentos, risos , histórias.Ficamos lembrando um futuro que havíamos nos prometido e até então pensávamos que tinha sido roubado de nós.
Eu voltei sim, a encontrar a moça do espelho.
E juntas tiramos o pó da caixa que guardava nossos sonhos mais lindos.
Meses se passaram até que eu a encontrei novamente.
Eu tinha medo , confesso, de esbarrar com ela.Tinha medo daquelas lágrimas, daquela voz chorosa...Eu tinha medo daquele estado deplorável.
Eu não sei se suportaria vê-la com o peito rasgado e o coração mutilado.Não sei se aguentaria ver aqueles olhinhos fundos me pedindo ajuda,novamente.E eu com as mãos atadas.Sangrando junto com ela.
Mas , novamente , a encontrei por acaso.Como quem vai na padaria comprar pão e encontra um amigo.Passei por ali,por entre o guarda-roupas e a cama.E antes que pudesse pensar em desviar o olhar eu já tinha visto.Lá estava ela, sorrindo.E era um sorriso bonito de se ver...Não que ela tivesse os dentes mais brancos,não que ela tivesse o rosto mais bonito..Longe disso.Mas ela sorria com o coração.A moça era assim, sabe? De transbordar o que o coração sobra.Até hoje não sei se isso é bom ou não.Mas a moça era assim...E agora, olhe para ela.Olhe essa felicidade, essa doçura.Eu chorei, - confesso, de felicidade, ao ver tantas estrelas pinceladas em seus olhos.
E quando ela me avistou não disse uma palavra.Apenas sorriu...Agora ela que enxugava minhas lágrimas.Lágrimas de moça boba que sou, com o sentimento esvaindo pelos meus olhos.Ficamos ali por horas, ou por minutos , não me lembro ao certo. Ao lado da moça o tempo voava...Ficamos ali lembrando momentos, risos , histórias.Ficamos lembrando um futuro que havíamos nos prometido e até então pensávamos que tinha sido roubado de nós.
Eu voltei sim, a encontrar a moça do espelho.
E juntas tiramos o pó da caixa que guardava nossos sonhos mais lindos.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Frenesi.
Isis estava cansada.Cansada de todo esse circo , de toda essa incompreensao.De ser chamada de viciada pela sociedade, de ser excomungada.De ser a vilã de sua própria história.Quem eram as pessoas, afinal, pra julgar o que ela fazia de errado ? As pessoas sentiam a dor que ela sentia ? As pessoas doíam como ela doía ? Diante desse mundo utópico no qual a maioria das pessoas vive , que mal fazia ela apenas tentar fugir dele ?
A opiniao das pessoas não importava tanto, mas a dele.A dele sim importava.Ouvir aquele garoto a acusando era demais , até para ela.Ela engolia lágrimas na maioria das vezes.E por mais que estivesse errada esperava que ele a resgatasse, não a condenasse.O que ele conseguiria , enfim , com aquelas palavras duras ? O que ele conseguiria com todo aquele ar frio ? Ela não sabia ao certo o que ele pretendia.Ela não sabia ao certo de mais nada.Ele a confundia.Ele a situava.Frenesi.
Entre um pensamento e outro, pegou o baseado.Tirou das mãos , apoiando na mesa.As lágrimas que caíam sobre seu corpo certamente o apagariam.E ela queria mantê-lo aceso, junto com as suas esperanças de fugir da dor.Junto com a vontade de ser e viver somente amor.
A opiniao das pessoas não importava tanto, mas a dele.A dele sim importava.Ouvir aquele garoto a acusando era demais , até para ela.Ela engolia lágrimas na maioria das vezes.E por mais que estivesse errada esperava que ele a resgatasse, não a condenasse.O que ele conseguiria , enfim , com aquelas palavras duras ? O que ele conseguiria com todo aquele ar frio ? Ela não sabia ao certo o que ele pretendia.Ela não sabia ao certo de mais nada.Ele a confundia.Ele a situava.Frenesi.
Entre um pensamento e outro, pegou o baseado.Tirou das mãos , apoiando na mesa.As lágrimas que caíam sobre seu corpo certamente o apagariam.E ela queria mantê-lo aceso, junto com as suas esperanças de fugir da dor.Junto com a vontade de ser e viver somente amor.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Querer ;
Eu queria que todo o mundo vivesse em paz.
E que todos possuíssem sonhos.
Queria que todos fizessem planos.
E que a maioria das pessoas realizasse esses planos.
E queria que todas as pessoas fossem dispostas a ajudar, a correr na praia, a gritar um amor ao vento.
Queria que todos tivessem estrelas nos olhos.
E o coração pulsando de felicidade.
Queria que todos sentissem , ao menos uma vez na vida, as pernas tremerem.
Eu queria que todo o mundo optasse por amizade e não por guerra.
-
Eu queria que todos tivessem a chance de amar,
Apenas metade do que eu amo você.
E que todos possuíssem sonhos.
Queria que todos fizessem planos.
E que a maioria das pessoas realizasse esses planos.
E queria que todas as pessoas fossem dispostas a ajudar, a correr na praia, a gritar um amor ao vento.
Queria que todos tivessem estrelas nos olhos.
E o coração pulsando de felicidade.
Queria que todos sentissem , ao menos uma vez na vida, as pernas tremerem.
Eu queria que todo o mundo optasse por amizade e não por guerra.
-
Eu queria que todos tivessem a chance de amar,
Apenas metade do que eu amo você.
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